terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Como gerir birras e comportamentos inadequados...II parte

Estamos sempre a comunicar,
mesmo quando não falamos...


A comunicação faz-se através de palavras (verbal) e
também através de gestos, expressões faciais,
tom de voz, silêncios, etc. (não verbal).

No entanto, nem sempre conseguimos comunicar aquilo que realmente queremos, ou da forma como queremos.

A seguir damos algumas dicas para tornar
a comunicação mais clara e efectiva.


1. Fale calmamente
Fale num tom de voz calmo e pausado, usando frases curtas e directas. Diga uma coisa de cada vez (não salte de assunto).

2. Use mensagens “eu” em vez de mensagens “tu”
As mensagens “eu” centram-se em nós e promovem uma comunicação clara dos nossos comportamentos e sentimentos. Ao usar frases “eu”, embora esteja a confrontar a criança, porque está a falar sobre o seu comportamento, não a magoa.
Nas mensagens “tu” o foco passa a ser a outra pessoa e soam a criticismo. A outra pessoa reage quase sempre com raiva, sente-se humilhada e tem uma atitude defensiva.
Exemplo:
Mensagem “tu”: “Tu nunca chegas a horas, és sempre o mesmo atrasado!”
Mensagem “eu”: “Eu fico preocupada/ aborrecida quando chegas atrasado.”

3. Seja específico
Diga exactamente aquilo que quer. Quando quer que a criança faça alguma coisa, diga de forma clara e específica o comportamento que pretende ver realizado. Concentre-se num tópico de cada vez.

4. Seja breve
Use uma linguagem simples e directa, seja breve, sem rodeios.

5. Verifique se a criança está a ouvir/ compreender
Pode perguntar: “o que é que achas?”, “concordas?”. Fazer perguntas envolve quem está a ouvir e permite verificar se compreendeu.

6. Mostre que está a ouvir
Pode mostrar que está a ouvir, que está interessado e atento, mantendo um bom contacto ocular e mostrando que compreende o que a criança lhe diz e sente (ex.: acenando com a cabeça, dizendo “hum-hum”).

7. Faça a criança sentir que você a compreende

Acompanhe o discurso ou as experiências da criança, mostrando interesse e que o que se passa com ela não lhe é indiferente, ou seja, mostre à criança que você está atento. Isso faz com que se sinta com valor e que alguém lhe dá atenção.
Exemplo:
“Percebo, deves ter-te sentido muito triste com isso.”

8. Coloque questões para esclarecer dúvidas
Para se mostrar interessado e perceber exactamente aquilo que a criança quer dizer, é útil fazer questões.

OBSTÁCULOS A UMA COMUNICAÇÃO CLARA E EFECTIVA

1. “Deitar abaixo”
Exemplo:

chamar nomes, insultar, rir-se de forma inapropriada, fazer comentários depreciativos, troçar das ideias ou dos esforços dos outros.

2. Usar frases coercivas
Exemplo: “tens que”, “deves”...

3. Misturar frases positivas e negativas
Exemplo:



“Muito bem, fico contente que tenhas feito hoje tua a cama, já não era sem tempo!”

4. “Ser historiador”
Exemplo:

Estar sempre a lembrar o que correu mal no passado.

5. Falar pelos outros
Exemplo:

“nós estamos muito zangados contigo”.

6. Ter sinais verbais e não verbais inconsistentes
Ou seja, dizer uma coisa mas demonstrar outra através do não verbal (corpo ou expressão facial, tom de voz..)
Exemplo: “está muito bem o teu desenho”, ao mesmo tempo que desvia o olhar e faz uma cara de reprovação
.

7. Culpabilizar
Exemplo: “És sempre o mesmo trapalhão!”.

8. Usar “palavras-rastilho”
Ou seja, que fazem aumentar a tensão e provocam conflito. Muitas vezes fazem explodir reacções emocionais e comportamentos desadequados, e dão origem, posteriormente, a reacções do género: “não sei como fiz aquilo.”
Exemplo:



Linguagem extremista - “sempre, nunca, constantemente, para sempre,...”;
Linguagem crítica - “é melhor que, tens de, devias...”
Rotulagem - “mau, burro, idiota, terrível, porco, peste”.


Tente usar uma linguagem mais flexível
Exemplo:


dizer “às vezes” em vez de “sempre”, “agora”, em vez de “nunca”.

Uma linguagem assim tem a vantagem de evitar a escalada do conflito e de não o fazer perder a calma.

É importante nunca esquecer que quando os adultos se descontrolam as crianças seguem o seu exemplo e aprendem que esse comportamento é aceitável.
Elas aprendem a fazer o mesmo.


Próximo postagem: "como lidar com o mau comportamento”
João Figueiredo - psicologo

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como gerir birras e comportamentos inadequados...

Educar uma criança não é tarefa fácil.
Na maior parte das vezes os pais têm dúvidas:

- Como devo educar?
- Existem formas melhores?
- Farei bem ou mal?
- Devo castigá-lo?

NA VERDADE, NÃO EXISTE UMA RECEITA...
Mas alguns cuidados são importantes para que não se caia em extremos... Nem 8 nem 80!
É importante:
- Tolerar sem esquecer quem são os pais,
- Facilitar sem deixar fazer tudo o que a criança quer,
- Vigiar sem impor.

É IMPORTANTE FAZER COM QUE A CRIANÇA CUMPRA AS REGRAS IMPOSTAS.

Muitas vezes, os pais hesitam em dizer não ou em repreender a criança porque temem que ela fique “traumatizada”, criando uma relação onde ela detém o poder, pois, rapidamente, passa a fazer uso da ideia de que realmente não pode ser contrariada nas suas vontades.
Não é saudável que deixem a criança fazer tudo o quer e não lhe imponham regras, alimentando um sentimento de que tudo lhe é permitido.
Ao procurar dar mais e mais à criança, podem estar a contribuir para a inversão de valores importantes para viver em sociedade, como a partilha e o respeito pelos outros.

DEVEMOS SABER QUE...

Impor regras e limites aos comportamentos não quer dizer que não se gosta da criança! Quer dizer exactamente o contrário: significa ensinar à criança como se deve viver saudavelmente com os outros.
Impor regras é ajudar a criança a crescer! Elas devem saber o que podem e não fazer em sociedade.

1. Porque é que o meu filho tem determinados comportamentos?

À medida que vai crescendo, a criança vai aprendendo a forma com as pessoas que estão à sua volta reagem ao seu comportamento.

Uma criança que se recusa sistematicamente a comer sozinha e cujos pais acabam por (após muita insistência e sem resultado) lhe dar de comer à boca, aprende que não precisa de comer sozinha, uma vez que os pais acabam sempre por ceder.

A reacção do adulto é, portanto, um elemento fundamental da relação, porque ensina a criança a controlar-se e como se deve comportar de forma adequada.

É importante perceber que a criança levou meses ou mesmo anos a desenvolver os seus comportamentos e, portanto, não é de um momento para o outro que os vai alterar. É preciso paciência!

2. O papel dos pais...

Os pais são competentes para resolver os problemas da família à medida que estes vão surgindo, sobretudo se usarem carinho, compreensão, tolerância e definirem regras e fronteiras claras.

3. Porque é que os comportamentos não adequados e a desobediência persistem?

- estão a ser reforçados inadequadamente
- não têm consequências e a criança obtém o que deseja com esse comportamento

4. Porque é que o comportamento acontece?

Um comportamento depende
- Daquilo que acontece antes (estímulo)
- Daquilo que acontece depois (consequência)

5. Que comportamentos a criança tem?

As crianças...
- repetem comportamentos que têm consequências agradáveis e
- não realizam comportamentos que têm consequências desagradáveis.

Por exemplo, a Marta agride a irmã para se sentar à frente no carro. Se os pais o permitirem (não derem nenhuma consequência desagradável) ela vai sentir-se reforçada e tenderá a repetir este comportamento. No entanto, se lhe for apresentada uma consequência (exemplo: ter que ir o caminho de ida e volta no banco de trás) este comportamento tenderá a desaparecer.

ALGUMAS ATITUDES QUE PROMOVEM OS PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO:

1. A desautorização entre os pais: é natural que os pais nem sempre estejam de acordo. No entanto, não devem nunca desautorizarem-se em frente da criança pois faz com que ela sinta que não há regras claras e autoridade, criando ela as suas próprias regras.

2. Usar sermões: são inúteis porque mais tarde a criança volta a fazer a mesma coisa. As crianças compreendem melhor se tiverem consequências directas aos seus comportamentos do que as palavras. É preciso agir e não dar sermões.

3. Fazer ameaças e não cumprir: as ameaças causam medo nas crianças e, mais tarde ou mais cedo, elas vão perceber que os pais estão a mentir.

4. Ser inconsistente: dizer uma coisa e fazer outra... As regras devem ser sempre as mesmas e levadas até ao fim! Por exemplo, é um erro dizer “tens que comer sozinho, não te vou dar a comida à boca mais uma vez” e, face à insistência da criança, acabar por ceder, dando-lhe a comida na boca.

5. Gritar: a única vantagem é aliviar a tensão dos pais. Mas as desvantagens são maiores: mostra descontrolo e ensina a fazer o mesmo. Mostra à criança que vence quem fala mais alto.

6. Ceder às birras: quando os pais decidem dizer não, deve ser não até ao fim, independentemente do comportamento da criança. Caso contrário a criança vai aprender que com a birra consegue o que quer. Por exemplo, se a criança insiste que quer um chocolate no café e os pais dizem que não, não devem mudar de opinião com a sua birra, choro ou teimosia, senão a criança vai aprender que sempre que fizer birra vai te o que quer. Não é não!

7. Criticar a criança e não o comportamento: “És sempre o mesmo, nunca vais mudar!”. A criança vai aprender que é mesmo assim e não há nada a fazer.

8. Bater: não funciona porque a criança só obedece naquele momento. Passado pouco tempo volta a fazer o mesmo.


ENTÃO O QUE DEVEMOS FAZER?

Estabelecer regras claras e únicas, bem como as consequências de não as cumprir.
A criança deve saber o que pode esperar do seu comportamento.

 Moldar os comportamentos com as suas recompensas

- Reforçar os comportamentos adequados:
Quando a criança faz o comportamento desejado, deve-se recompensá-la (por exemplo, uma ida ao parque, uma sobremesa ao seu gosto, uma história ao deitar, ou simplesmente, e mais importante, um elogio: “muito bem, hoje comeste a sopa sozinha, fico muito contente contigo!”

- Ignorar ou não reforçar comportamentos desadequados:
Por exemplo, quando a criança faz uma birra, ignorar até ela acabar. Se os pais reconfortarem a criança fazendo aquilo que ela quer, reforçam este comportamento, ou seja, vão fazer com que a criança repita a birra.

Continua...
João Figueiredo
Psicólogo

domingo, 4 de dezembro de 2011

Contacto precose pele a pele...

Desde há algum tempo que se tem vindo a questionar as práticas hospitalares existentes nas maternidades que retiram a possibilidade à mãe de estabelecer um contacto íntimo pele-a-pele com o seu bebé acabado de nascer. E, neste âmbito, têm sido efectuados estudos comparativos entre bebés e mães que estabeleceram contacto pele-a-pele precoce (na primeira hora de vida) e bebés e mães que não estabeleceram este tipo de contacto.

Concluiu-se que no grupo de bebés e mães que estabeleceram contacto pele-a-pele precoce:

1 - Existem “1 hora de ouro” após o nascimento que resulta num benefício máximo para quem deseja amamentar:


.....a) O recém-nascido apresenta uma reacção estrondosa ao cheiro materno, aproximando-se espontaneamente da mama;
.....b) Ocorre uma sucção eficaz e espontânea por parte do recém-nascido após o nascimento durante cerca de 1 hora, o que está associada ao prolongamento e manutenção da amamentação, ou seja, o contacto pele-a-pele durante mais de 50 minutos após o nascimento aumenta cerca de 8 vezes a amamentação espontânea;

.....c) Contribui para a ocorrência de menor ingurgitamento mamário.

2 - No que respeita à mãe, o toque, o cheiro e a temperatura são estímulos vagais que conduzem à libertação de ocitocina, a qual aumenta por sua vez, as respostas sociais, diminui a ansiedade materna e aumenta a temperatura em redor das mamas.
Além disso, as mães revelam mais comportamentos de apego, tais como: gestos mais carinhosos durante a amamentação, beijam mais os bebés, utilizam a posição face-a-face, seguram e tocam mais os seus bebés.

3 - Relati
vamente aos recém-nascidos verifica-se que quando colocados em contacto pele-a-pele, apresentavam temperaturas mais estáveis (perderam menos calor após o nascimento), a glicemia (nível de açúcar no sangue) manteve-se mais elevada e a frequência respiratória mais baixa, o que demonstra conservação de energia. Além disso, choravam menos vezes que os bebés que foram privados deste tipo de contacto.

Em suma, o contacto precoce pele-a-pele durante a “1ª hora de ouro” imediata após o nascimento fortificam a vinculação (apego entre mãe-bebé) e aumentam o sucesso do aleitamento materno.

O "Milagre de Vida" tem vindo a apostar quer na amamentação, quer na vinculação segura entre mãe-pai-bebé, dando especial destaque a estes temas no decurso das sessões do curso de preparação para o parto. Porque as evidências são inegáveis, contribuindo para famílias mais saudáveis e harmoniosas!




______________________________Vânia Coimbra

Bibliografia: LOWDERMILK, Deitra; PERRY, Shannon - Enfermagem na Maternidade, 7ªed, Loures: Lusodidacta, 2008