terça-feira, 15 de maio de 2012

DIA INTERNACIONAL DA FAMILIA 2012



A familia é uma comunidade de pessoas que tem como principio e força de comunhão de amor "Sem amor, a família não pode viver, crescer e aprefeiçoar-se como comunidade de pessoas"


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Convocatória - Assembleia Geral

Estimado Sócio:

Vimos convocá-lo(a) para a Assembleia Geral da Associação Milagre de Vida e Preparação para o Parto, que se realiza no dia 25 de Fevereiro de 2012 às 15h30m no Bairro do Balteiro- Rua Ribeira Cáster nº10 R/c Esq.Santa Maria da Feira
Com a seguinte ordem de trabalhos:
• Apresentação do relatório de actividades 2010
• Apresentação de relatório de contas e respectiva votação;
• Discussão do plano de actividades e aprovação:
• Outros assuntos de interesse.


Se não houver coorum, após 30m da hora marcada inicia-se a assembleia com o número de sócios presentes.

Com os melhores cumprimentos.


Sta Maria da Feira, 08 de Fevereiro de 2012

O Presidente da Assembleia

Vitor Santos

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Importancia da brincadeira no desenvolvimento da criança

Durante o primeiro ano de vida, o bebé é “bombardeado” por múltiplas experiências sensoriais, desde o miar de um gato, o calor do sol, a água a envolver o seu corpo… As sensações acabam por ser interpretadas, organizadas e integradas no seu cérebro, facto que ajudará a criança a desenvolver as suas capacidades motoras, permitindo-lhe movimentar adequadamente o corpo e a desenvolver as capacidades de socialização, de atenção e de estabilidade emocional, entre outras.

De acordo com Wong (1999), o jogo e as brincadeiras na infância revestem-se de inúmeras funções. Vamos falar mais detalhadamente sobre cada uma delas.

Desenvolvimento sensorio-motor
A brincadeira activa é essencial para o desenvolvimento muscular e permite o extravasamento de energia excedente. Além disso, permite à criança explorar-se a si própria e ao mundo que a rodeia através da utilização simultânea dos seus sentidos e movimentos.
Quando brinca com objectos, a criança, toca, atira, chuta, empurra, abana, esconde e recupera… Ao mesmo tempo ouve os sons que os objectos produzem e observa o que lhes sucede, o que lhe possibilita familiarizar-se com o mundo que a rodeia e a ter algum domínio sobre ele.


Desenvolvimento intelectual
Através da exploração e manipulação, a criança aprende as cores, os formatos, os tamanhos, as texturas e o significado dos objectos; desenvolve a compreensão de conceitos abstractos e das relações espaciais.
Os livros, filmes, histórias aumentam o nível de conhecimentos e constituem uma fonte de prazer. Além disso, ajudam a criança a desenvolver a linguagem e a assimilar novas concepções e relacionamentos.



Socialização
A criança revela desde muito cedo o seu interesse e prazer na companhia dos outros. Os contactos iniciais efectuam-se com a mãe/pai; no entanto, através da brincadeira com outras crianças ela aprende a estabelecer relacionamentos sociais, a dar e a receber e, assimila padrões de conduta e comportamento.

Criatividade
A criança pode experimentar as suas ideias e fantasias nas brincadeiras. Não existe outra oportunidade de ser tão criativa como no jogo/brincadeira. Quando a criança sente a satisfação de criar algo novo e diferente, acaba por transferir esse interesse criativo para as situações do mundo real.

Autoconsciência
Com o início das explorações activas do seu corpo e da consciência de si mesma como separada da mãe, o processo de auto-identidade da criança torna-se facilitado através das brincadeiras. A criança aprende quem ela é e torna-se cada vez mais capaz de regular os seus comportamentos e de comparar as suas capacidades com as de outras pessoas. Aprende ainda o efeito que os seus comportamentos têm sobre os outros.

Valor terapêutico
O jogo/brincadeira é terapêutico em qualquer idade. Proporciona uma forma para libertar a tensão e o stress. Na brincadeira, a criança pode expressar as suas emoções e libertar impulsos inaceitáveis de modo socialmente aceitável. Através do jogo a criança é capaz de comunicar as suas necessidades, temores e desejos que, dificilmente conseguiria através da linguagem.
Durante a brincadeira torna-se necessário a presença de um adulto para ajudar a criança a controlar a agressão e para canalizar as suas tendências destrutivas.

Valores Morais
Embora a criança aprenda em casa e na escola os comportamentos considerados correctos e errados, a interacção com os amigos durante os jogos contribui para treinar os seus valores morais. Para integrar um grupo terá que aderir aos padrões desse grupo e a códigos de comportamento como a honestidade, amabilidade, autocontrole, entre outros.


Em suma, os jogos e as brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento harmonioso da criança. Não se esqueça que a criança adora brincar consigo. Por isso, recorde as suas brincadeiras de infância e estabeleça uma relação lúdica com o seu filho.

Serão momentos inesquecíveis para todos! Não se arrependerá!


Bibliografia:
BOYER, Anne Knecht. Brincar com o bebé, Lisboa: Edi-Care Editora. 2004
WONG, Donna L. Enfermagem Pediátrica: elementos essenciais à intervenção efectiva, Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan. 1999.

Vânia Coimbra (EESMO)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Como gerir birras e comportamentos inadequados...III parte

Lidar com o “mau comportamento”

As crianças nascem e têm que aprender a viver numa sociedade que tem determinadas regras. Estas regras existem para que a convivência entre as pessoas seja boa.

Os pais têm um papel chave na preparação da criança para a aprendizagem de capacidades sociais, como, por exemplo, tomar a perspectiva do outro, negociar e resolver problemas. Aos poucos a criança vai acumulando informação e passa a compreender aspectos como o respeito pela autoridade, a amizade, os costumes e as regras.

A disciplina é uma forma de ajudar as crianças (que não conhecem as regras da sociedade) e inserirem-se de forma adequada.
Assim, falar de disciplina é falar de regras.

Por exemplo, num jogo de futebol existe um conjunto de regras que permitem que o jogo aconteça. Quando um jogador (que não seja o guarda-redes) toca na bola com a mão, é falta, ou seja, vai sofrer um castigo. Quanto mais claras e simples forem as regras do jogo, mais fácil é a sua aprendizagem.

Na sociedade em que vivemos, é a mesma coisa. Para aprender a viver em sociedade, a criança precisa de um modelo, um adulto que lhe ensine essas regras.

Num momento ou noutro, todas as crianças mentem, tiram coisas que pertencem aos outros, agridem, gritam ou desobedecem.
A diferença entre estes comportamentos e aquilo que os psicólogos consideram como um problema de comportamento está na gravidade dos comportamentos, na duração, na frequência, no aparecimento dos mesmos em mais do que um contexto (em casa e na escola, por exemplo) e na sua persistência através do tempo, com início numa idade muito jovem.

Há crianças que, apesar de já estarem numa etapa mais avançada do seu desenvolvimento, continuam a apresentar comportamentos como birras e desobediência.
Isso pode significar que esses comportamentos estão a ser inadequadamente reforçados, que não têm consequências e a criança está a obter o que deseja, mesmo com o mau comportamento, e por isso os comportamentos persistem.

Educar uma criança exige energia e paciência.
Energia porque algumas crianças são mais difíceis de controlar do que outras e paciência para definir a melhor forma de lidar com o comportamento no momento em que este surge, sem ser impulsivo.

A criança levou meses ou mesmo anos a desenvolver os seus comportamentos e, portanto, não é de um momento para o outro que os vai alterar.
É preciso paciência...
A aplicação de estratégias adequadas deve ser sistemática, persistente e continuada,
reforçando sempre as pequenas vitória


Há uma regra muito importante:

Separar a criança do seu comportamento!

Se o objectivo da disciplina é aumentar o bom comportamento e acabar com o mau comportamento, é para o mau comportamento que se devem dirigir os comentários, não para a criança!

Queremos acabar com o mau comportamento! ELE é o INIMIGO a abater
Não diga:
“Assim não gosto mais de ti,
diga “Não gosto que faças isso...!”.


ESTRATÉGIAS DE CONTROLO DO COMPORTAMENTO INADEQUADO

1. Reforço positivo dos comportamentos adequados

Consiste na apresentação de uma consequência positiva após um comportamento adequado. Essa consequência fortalece o comportamento e aumenta o número de vezes que ele poderá aparecer. Significa elogiar situações em que o”mau comportamento” não aparece.
O reforço positivo pode ser dado sob a forma de:

- elogios (ex.: “Muito bem, estou muito contente contigo!”)
- afecto físico (ex.: beijos, carícias, etc.)
- recompensas (ex.: ler uma história, comer pizza, chocolates, jogos, livros, brincadeiras, gelados, brinquedos, sobremesa favorita, etc.)

- Deve ser fornecido imediatamente após o comportamento adequado acontecer;
- Não deve ser combinado com uma crítica (ex.: “a cama está feita, mas já a podias ter feito logo que te levantaste e não agora!...”);
- Deve ser importante para a criança e variar ao longo do tempo;
- Devem centrar-se no comportamento adequado, de forma a aumentar a probabilidade de ele voltar a acontecer. Por exemplo: “gosto muito quando arrumas o teu quarto!”.

Assim, o comportamento que agrada aos pais foi especificado, deixando claro para a criança que terá sempre a sua aprovação ao faze-lo;

- Os elogios devem ser feitos de forma sincera;

- Os reforços não devem ser só guardados para os comportamentos excelentes, qualquer pequeno esforço que signifique uma mudança ou aproximação ao comportamento desejado

2. Usar punição moderada

Consiste num método de alteração do comportamento em que é apresentado à criança um acontecimento desagradável ou retirado um estímulo positivo (por exemplo, o brinquedo ou o programa de televisão preferido) como consequência de um comportamento inadequado. A intenção é que este comportamento diminua de frequência, duração e intensidade.

Não esquecer…

- A criança não deve ser punida por tudo o que faça de errado (o que não significa que não seja repreendida), mas pelos comportamentos considerados mais desadequados;

- Tanto a punição como as recompensas devem ser seguidas ao comportamento; períodos de tempo alargados não resultam;

- Antes de iniciar o uso da punição moderada os pais devem usar o reforço positivo dos comportamentos que querem ver repetidos pela criança. Isto irá ensinar à criança aquilo que esperam que ela faça;

- Deve ser retirado um privilégio (por exemplo, comer sobremesa) ou uma actividade preferida da criança (por exemplo, ver o programa de televisão preferido) em função do comportamento inadequado;

- A punição deve ser uma consequência do comportamento inadequado, de forma a que a criança compreenda a relação causa-efeito: “atiraste brinquedos à tua irmã, então vais ficar até amanha sem brincares com eles”.

Para as crianças os actos significam muito mais do que as palavras.

- O uso da punição deve ser consistente ao longo do tempo, ou seja, quando a criança for punida por um comportamento deve ser sempre punida quando apresenta esse mesmo comportamento;

- A punição não deve ser usada por períodos indeterminados mas sim por um período estabelecido (por exemplo, não arrumaste o teu quarto, não vês hoje o teu programa de televisão favorito). No dia seguinte a criança deve ter oportunidade de apresentar um comportamento adequado e ter uma recompensa;

- A punição deve ser suficientemente desagradável para que a criança se sinta motivada para alterar o seu comportamento;

- Não deve ser aplicado sempre o mesmo tipo de punição, pois estas perdem o seu efeito com o passar do tempo.

- Um tipo de punição muito eficaz é a “pausa”.


Consiste em retirar a criança do local onde está a apresentar os comportamentos inadequados e colocá-la num local vazio de entretenimentos, de forma a interromper esses comportamentos e não ser indevidamente reforçada com a atenção das pessoas.

…Como usar a pausa?

A pausa pode ser usada quando a criança apresenta os seguintes comportamentos: agressividade, birras, provocações, comportamentos inadequados à mesa e desobediência.

Pausa: Alguns cuidados a ter em conta:

a)Seleccionar um ou dois comportamentos alvo para iniciar o uso da pausa (por exemplo, os mais graves), pois caso os pais comecem a utiliza-la para muitos comportamentos, a criança correrá o risco de passar muito tempo na pausa, o que não é adequado;

b)Escolher um local que não tenha distractores, mas que não seja assustador;

c)Num primeiro momento os pais devem pedir à criança para interromper o “mau comportamento” (pré-aviso): “Joana, pára de gritar com o bebé ou vais para a pausa”. Caso a criança não obedeça no próximo minuto, vai imediatamente para a pausa.

d)Sempre que os comportamentos seleccionados aconteçam, a criança deve ser mandada para a pausa;

e)Quando mandam a criança para a pausa, os pais devem olhar para a criança e usar um tom de voz e postura firmes: “Estou a avisar-te que se não obedeceres à mãe/ pai vais 5 minutos para a pausa”;

f)Usar imediatamente após o comportamento inadequado, sem sermões a acompanhar;

g)Não discutir com a criança enquanto estiver na pausa, ou seja, nada de discussões;

h)Os comportamentos que não são observados pelos pais não devem ser punidos com a pausa;

i)Caso tenha sido pedida uma tarefa à criança e ela não cumpra com este pedido depois de sair da pausa, deve ser usada a punição moderada (por exemplo, não brincar com os amigos naquele dia);

j)Nada que a criança faça, peça ou prometa poderá evitar que a pausa seja implementada.

k)A criança deve ficar na pausa um minuto por cada ano de idade. Exemplo: 8 anos, 8 minutos.

- Se a criança se recusar a ir para a pausa, deve ser retirado um privilégio (por exemplo, brincar com as bonecas) e este só é reobtido quando cumprir o tempo determinado em pausa.
- Se a criança sair da pausa sem permissão deve ser dado o aviso de que se não voltar terá que cumprir o triplo do tempo e que será aplicada uma punição.

Este aviso deve ser dado apenas uma vez e com um tom de voz firme. Caso ela não volte, é imediatamente punida, sem discussões.

- Se a criança desarrumar as coisas durante a pausa, insistir para que arrume tudo antes de sair da pausa.

- Depois de terminada a pausa, não repreenda, ralhe ou censure a criança. Ela já cumpriu o castigo
!

3. Ignorar o mau comportamento (não prestar atenção)

Alguns comportamentos devem ser ignorados, por exemplo, birras, gritos, mau humor, choro, “queixinhas”, pendurar-se na mãe quando fala com outra pessoa, etc.
Esta estratégia só deve ser usada com comportamentos de pouca gravidade.

Os pais devem envolver-se noutras actividades, fingir que não estão a ouvir, virar as costas ou sair de perto da criança. É importante que ao ignorar não mostrem raiva ou impaciência, isso seria dar atenção ao mau comportamento.

4. Fazer pedidos de forma eficaz

Não esquecer...
- Os pais devem decidir o que realmente querem que a criança faça;

- Os pedidos devem ser apresentados de forma directa e não sob a forma de questão ou como se estivessem a pedir um favor;

- Os pedidos devem ser feitos de uma forma clara, para que a criança compreenda e obedeça.
Por exemplo, “Maria, arruma agora estes brinquedos no caixote do teu quarto” é diferente de “Tira estes brinquedos daqui.”

- Devem ser dados comandos simples e não confundir a criança;

- Os pais devem olhar directamente para a criança (não deve ser dada uma ordem na cozinha, estando a criança no quarto);

- Os elementos que distraem a criança devem ser reduzidos antes de ser feito o pedido. Por exemplo, se a criança está a jogar um jogo de computador, o pai deve dizer-lhe para desligar e depois pedir para lavar as mãos e ir para a mesa.

- Quando necessário, a criança deve repetir o pedido para os pais se certificarem que ela compreendeu o que foi pedido. A repetição correcta deve ser elogiada;

- A criança deve ser reforçada pelo comportamento de obediência e deve ser usada a punição moderada caso não obedeça.

5. Dizer não quando é preciso

Quando acharem adequado, os pais devem usar essa palavra sem medo e mantê-la até ao fim. Não é não.
Quando os pais permitem tudo à criança, impedem-na de reconhecer os seus limites e favorecem uma posição poderosa em que não tem em conta o sentimento dos outros. Saber que existem limites ajuda a criança a saber o que esperam dela e com o que pode contar.
Se a situação justificar, os pais podem explicar rapidamente porquê estão a dizer “não”, mas não devem voltar a repetir, nem entrar em discussão ou fazer discursos moralistas. Caso ela insista em pedir o que seja, devem ignorar.

6. Escolhas e consequências

Dar uma escolha à criança, ensinando-a a ter um papel activo nas suas próprias decisões e ser responsável pelo seu próprio comportamento. Por isso, é importante para a criança saber que a sua escolha terá uma consequência. Esta consequência não deve ser referida como um castigo mas como resultado da escolha que a criança fez. Além disso, a criança deve saber antecipadamente que determinado comportamento terá

determinada consequência, ou seja, não estamos a preparar armadilhas para ninguém.
Exemplo: “Se não arrumares o teu quarto não vais brincar com os primos.”

7. Primeiro..., depois...

Primeiro as tarefas que quer que a criança faça, depois as actividades que a criança gosta/ quer fazer.
É útil para implementar tarefas menos motivadoras para a criança.
Exemplo: Rui, os teus amigos estão lá fora. Podes sair logo depois de arrumar o quarto.

8. Consequências lógicas e naturais

Aquilo que aconteceria sem a intervenção de um adulto.
Exemplos:
- A criança parte o lápis a um colega, tem como consequência dar-lhe um lápis novo ou dar-lhe o dinheiro para comprar outro;
- A criança suja a mesa, limpa-a;
- A criança parte um brinquedo, fica sem ele, não lhe dão outro.

9. Trabalho extra

É importante sobretudo para comportamentos mais sérios, como mentir, roubar ou destruir propriedade.
Exemplo: se a criança mentiu, tem como consequência varrer a entrada da sala durante 10 minutos.

Esteja preparado para o “mau comportamento” aumentar.
Frequentemente, as coisas pioram uns dias
antes de começarem a melhorar.

Dê o seu melhor, seja paciente e persistente.
E continue a não esquecer que...

 - É muito importante para um desenvolvimento saudável das crianças que os pais partilhem alguns momentos de “brincadeira” com elas, isto é, disponibilizar alguns minutos diários para estar com a criança a fazer algo que ela gosta e a comunicar sem fazer críticas ou impor exigências;
 - É muito importante valorizar as competências das crianças, isto é, elogiá-las e salientar que há coisas que fazem bem (ex: desenhar, cantar, jogar à bola…).



 - Para que uma criança se sinta motivada e interessada na escola, deve perceber que aos pais acham importantes as suas aprendizagens e dão atenção aos seus sucessos. Assim, a melhor forma de ajudar uma criança a interessar-se pelas aprendizagens escolares é acompanhando-a e dando apoio nas tarefas diárias como os T.P.C..

João Figueiredo (Psicologo Clinico)

Fotos net

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Como gerir birras e comportamentos inadequados...II parte

Estamos sempre a comunicar,
mesmo quando não falamos...


A comunicação faz-se através de palavras (verbal) e
também através de gestos, expressões faciais,
tom de voz, silêncios, etc. (não verbal).

No entanto, nem sempre conseguimos comunicar aquilo que realmente queremos, ou da forma como queremos.

A seguir damos algumas dicas para tornar
a comunicação mais clara e efectiva.


1. Fale calmamente
Fale num tom de voz calmo e pausado, usando frases curtas e directas. Diga uma coisa de cada vez (não salte de assunto).

2. Use mensagens “eu” em vez de mensagens “tu”
As mensagens “eu” centram-se em nós e promovem uma comunicação clara dos nossos comportamentos e sentimentos. Ao usar frases “eu”, embora esteja a confrontar a criança, porque está a falar sobre o seu comportamento, não a magoa.
Nas mensagens “tu” o foco passa a ser a outra pessoa e soam a criticismo. A outra pessoa reage quase sempre com raiva, sente-se humilhada e tem uma atitude defensiva.
Exemplo:
Mensagem “tu”: “Tu nunca chegas a horas, és sempre o mesmo atrasado!”
Mensagem “eu”: “Eu fico preocupada/ aborrecida quando chegas atrasado.”

3. Seja específico
Diga exactamente aquilo que quer. Quando quer que a criança faça alguma coisa, diga de forma clara e específica o comportamento que pretende ver realizado. Concentre-se num tópico de cada vez.

4. Seja breve
Use uma linguagem simples e directa, seja breve, sem rodeios.

5. Verifique se a criança está a ouvir/ compreender
Pode perguntar: “o que é que achas?”, “concordas?”. Fazer perguntas envolve quem está a ouvir e permite verificar se compreendeu.

6. Mostre que está a ouvir
Pode mostrar que está a ouvir, que está interessado e atento, mantendo um bom contacto ocular e mostrando que compreende o que a criança lhe diz e sente (ex.: acenando com a cabeça, dizendo “hum-hum”).

7. Faça a criança sentir que você a compreende

Acompanhe o discurso ou as experiências da criança, mostrando interesse e que o que se passa com ela não lhe é indiferente, ou seja, mostre à criança que você está atento. Isso faz com que se sinta com valor e que alguém lhe dá atenção.
Exemplo:
“Percebo, deves ter-te sentido muito triste com isso.”

8. Coloque questões para esclarecer dúvidas
Para se mostrar interessado e perceber exactamente aquilo que a criança quer dizer, é útil fazer questões.

OBSTÁCULOS A UMA COMUNICAÇÃO CLARA E EFECTIVA

1. “Deitar abaixo”
Exemplo:

chamar nomes, insultar, rir-se de forma inapropriada, fazer comentários depreciativos, troçar das ideias ou dos esforços dos outros.

2. Usar frases coercivas
Exemplo: “tens que”, “deves”...

3. Misturar frases positivas e negativas
Exemplo:



“Muito bem, fico contente que tenhas feito hoje tua a cama, já não era sem tempo!”

4. “Ser historiador”
Exemplo:

Estar sempre a lembrar o que correu mal no passado.

5. Falar pelos outros
Exemplo:

“nós estamos muito zangados contigo”.

6. Ter sinais verbais e não verbais inconsistentes
Ou seja, dizer uma coisa mas demonstrar outra através do não verbal (corpo ou expressão facial, tom de voz..)
Exemplo: “está muito bem o teu desenho”, ao mesmo tempo que desvia o olhar e faz uma cara de reprovação
.

7. Culpabilizar
Exemplo: “És sempre o mesmo trapalhão!”.

8. Usar “palavras-rastilho”
Ou seja, que fazem aumentar a tensão e provocam conflito. Muitas vezes fazem explodir reacções emocionais e comportamentos desadequados, e dão origem, posteriormente, a reacções do género: “não sei como fiz aquilo.”
Exemplo:



Linguagem extremista - “sempre, nunca, constantemente, para sempre,...”;
Linguagem crítica - “é melhor que, tens de, devias...”
Rotulagem - “mau, burro, idiota, terrível, porco, peste”.


Tente usar uma linguagem mais flexível
Exemplo:


dizer “às vezes” em vez de “sempre”, “agora”, em vez de “nunca”.

Uma linguagem assim tem a vantagem de evitar a escalada do conflito e de não o fazer perder a calma.

É importante nunca esquecer que quando os adultos se descontrolam as crianças seguem o seu exemplo e aprendem que esse comportamento é aceitável.
Elas aprendem a fazer o mesmo.


Próximo postagem: "como lidar com o mau comportamento”
João Figueiredo - psicologo

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como gerir birras e comportamentos inadequados...

Educar uma criança não é tarefa fácil.
Na maior parte das vezes os pais têm dúvidas:

- Como devo educar?
- Existem formas melhores?
- Farei bem ou mal?
- Devo castigá-lo?

NA VERDADE, NÃO EXISTE UMA RECEITA...
Mas alguns cuidados são importantes para que não se caia em extremos... Nem 8 nem 80!
É importante:
- Tolerar sem esquecer quem são os pais,
- Facilitar sem deixar fazer tudo o que a criança quer,
- Vigiar sem impor.

É IMPORTANTE FAZER COM QUE A CRIANÇA CUMPRA AS REGRAS IMPOSTAS.

Muitas vezes, os pais hesitam em dizer não ou em repreender a criança porque temem que ela fique “traumatizada”, criando uma relação onde ela detém o poder, pois, rapidamente, passa a fazer uso da ideia de que realmente não pode ser contrariada nas suas vontades.
Não é saudável que deixem a criança fazer tudo o quer e não lhe imponham regras, alimentando um sentimento de que tudo lhe é permitido.
Ao procurar dar mais e mais à criança, podem estar a contribuir para a inversão de valores importantes para viver em sociedade, como a partilha e o respeito pelos outros.

DEVEMOS SABER QUE...

Impor regras e limites aos comportamentos não quer dizer que não se gosta da criança! Quer dizer exactamente o contrário: significa ensinar à criança como se deve viver saudavelmente com os outros.
Impor regras é ajudar a criança a crescer! Elas devem saber o que podem e não fazer em sociedade.

1. Porque é que o meu filho tem determinados comportamentos?

À medida que vai crescendo, a criança vai aprendendo a forma com as pessoas que estão à sua volta reagem ao seu comportamento.

Uma criança que se recusa sistematicamente a comer sozinha e cujos pais acabam por (após muita insistência e sem resultado) lhe dar de comer à boca, aprende que não precisa de comer sozinha, uma vez que os pais acabam sempre por ceder.

A reacção do adulto é, portanto, um elemento fundamental da relação, porque ensina a criança a controlar-se e como se deve comportar de forma adequada.

É importante perceber que a criança levou meses ou mesmo anos a desenvolver os seus comportamentos e, portanto, não é de um momento para o outro que os vai alterar. É preciso paciência!

2. O papel dos pais...

Os pais são competentes para resolver os problemas da família à medida que estes vão surgindo, sobretudo se usarem carinho, compreensão, tolerância e definirem regras e fronteiras claras.

3. Porque é que os comportamentos não adequados e a desobediência persistem?

- estão a ser reforçados inadequadamente
- não têm consequências e a criança obtém o que deseja com esse comportamento

4. Porque é que o comportamento acontece?

Um comportamento depende
- Daquilo que acontece antes (estímulo)
- Daquilo que acontece depois (consequência)

5. Que comportamentos a criança tem?

As crianças...
- repetem comportamentos que têm consequências agradáveis e
- não realizam comportamentos que têm consequências desagradáveis.

Por exemplo, a Marta agride a irmã para se sentar à frente no carro. Se os pais o permitirem (não derem nenhuma consequência desagradável) ela vai sentir-se reforçada e tenderá a repetir este comportamento. No entanto, se lhe for apresentada uma consequência (exemplo: ter que ir o caminho de ida e volta no banco de trás) este comportamento tenderá a desaparecer.

ALGUMAS ATITUDES QUE PROMOVEM OS PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO:

1. A desautorização entre os pais: é natural que os pais nem sempre estejam de acordo. No entanto, não devem nunca desautorizarem-se em frente da criança pois faz com que ela sinta que não há regras claras e autoridade, criando ela as suas próprias regras.

2. Usar sermões: são inúteis porque mais tarde a criança volta a fazer a mesma coisa. As crianças compreendem melhor se tiverem consequências directas aos seus comportamentos do que as palavras. É preciso agir e não dar sermões.

3. Fazer ameaças e não cumprir: as ameaças causam medo nas crianças e, mais tarde ou mais cedo, elas vão perceber que os pais estão a mentir.

4. Ser inconsistente: dizer uma coisa e fazer outra... As regras devem ser sempre as mesmas e levadas até ao fim! Por exemplo, é um erro dizer “tens que comer sozinho, não te vou dar a comida à boca mais uma vez” e, face à insistência da criança, acabar por ceder, dando-lhe a comida na boca.

5. Gritar: a única vantagem é aliviar a tensão dos pais. Mas as desvantagens são maiores: mostra descontrolo e ensina a fazer o mesmo. Mostra à criança que vence quem fala mais alto.

6. Ceder às birras: quando os pais decidem dizer não, deve ser não até ao fim, independentemente do comportamento da criança. Caso contrário a criança vai aprender que com a birra consegue o que quer. Por exemplo, se a criança insiste que quer um chocolate no café e os pais dizem que não, não devem mudar de opinião com a sua birra, choro ou teimosia, senão a criança vai aprender que sempre que fizer birra vai te o que quer. Não é não!

7. Criticar a criança e não o comportamento: “És sempre o mesmo, nunca vais mudar!”. A criança vai aprender que é mesmo assim e não há nada a fazer.

8. Bater: não funciona porque a criança só obedece naquele momento. Passado pouco tempo volta a fazer o mesmo.


ENTÃO O QUE DEVEMOS FAZER?

Estabelecer regras claras e únicas, bem como as consequências de não as cumprir.
A criança deve saber o que pode esperar do seu comportamento.

 Moldar os comportamentos com as suas recompensas

- Reforçar os comportamentos adequados:
Quando a criança faz o comportamento desejado, deve-se recompensá-la (por exemplo, uma ida ao parque, uma sobremesa ao seu gosto, uma história ao deitar, ou simplesmente, e mais importante, um elogio: “muito bem, hoje comeste a sopa sozinha, fico muito contente contigo!”

- Ignorar ou não reforçar comportamentos desadequados:
Por exemplo, quando a criança faz uma birra, ignorar até ela acabar. Se os pais reconfortarem a criança fazendo aquilo que ela quer, reforçam este comportamento, ou seja, vão fazer com que a criança repita a birra.

Continua...
João Figueiredo
Psicólogo

domingo, 4 de dezembro de 2011

Contacto precose pele a pele...

Desde há algum tempo que se tem vindo a questionar as práticas hospitalares existentes nas maternidades que retiram a possibilidade à mãe de estabelecer um contacto íntimo pele-a-pele com o seu bebé acabado de nascer. E, neste âmbito, têm sido efectuados estudos comparativos entre bebés e mães que estabeleceram contacto pele-a-pele precoce (na primeira hora de vida) e bebés e mães que não estabeleceram este tipo de contacto.

Concluiu-se que no grupo de bebés e mães que estabeleceram contacto pele-a-pele precoce:

1 - Existem “1 hora de ouro” após o nascimento que resulta num benefício máximo para quem deseja amamentar:


.....a) O recém-nascido apresenta uma reacção estrondosa ao cheiro materno, aproximando-se espontaneamente da mama;
.....b) Ocorre uma sucção eficaz e espontânea por parte do recém-nascido após o nascimento durante cerca de 1 hora, o que está associada ao prolongamento e manutenção da amamentação, ou seja, o contacto pele-a-pele durante mais de 50 minutos após o nascimento aumenta cerca de 8 vezes a amamentação espontânea;

.....c) Contribui para a ocorrência de menor ingurgitamento mamário.

2 - No que respeita à mãe, o toque, o cheiro e a temperatura são estímulos vagais que conduzem à libertação de ocitocina, a qual aumenta por sua vez, as respostas sociais, diminui a ansiedade materna e aumenta a temperatura em redor das mamas.
Além disso, as mães revelam mais comportamentos de apego, tais como: gestos mais carinhosos durante a amamentação, beijam mais os bebés, utilizam a posição face-a-face, seguram e tocam mais os seus bebés.

3 - Relati
vamente aos recém-nascidos verifica-se que quando colocados em contacto pele-a-pele, apresentavam temperaturas mais estáveis (perderam menos calor após o nascimento), a glicemia (nível de açúcar no sangue) manteve-se mais elevada e a frequência respiratória mais baixa, o que demonstra conservação de energia. Além disso, choravam menos vezes que os bebés que foram privados deste tipo de contacto.

Em suma, o contacto precoce pele-a-pele durante a “1ª hora de ouro” imediata após o nascimento fortificam a vinculação (apego entre mãe-bebé) e aumentam o sucesso do aleitamento materno.

O "Milagre de Vida" tem vindo a apostar quer na amamentação, quer na vinculação segura entre mãe-pai-bebé, dando especial destaque a estes temas no decurso das sessões do curso de preparação para o parto. Porque as evidências são inegáveis, contribuindo para famílias mais saudáveis e harmoniosas!




______________________________Vânia Coimbra

Bibliografia: LOWDERMILK, Deitra; PERRY, Shannon - Enfermagem na Maternidade, 7ªed, Loures: Lusodidacta, 2008